Livros que todo estudante deveria ler

Um tempo atrás fiz uma enquete nos stories do Instagram e perguntei qual livro as pessoas achavam que todo estudante deveria ler. O que eu esperava era uma série de recomendações técnicas ou acadêmicas, talvez até metodológicas, focadas exclusivamente na escrita ou pesquisa.

O que recebi, no entanto, me surpreendeu, porque as sugestões foram super variadas, incluindo vários títulos de desenvolvimento pessoal.

Na lista abaixo você confere todas as indicações. Incluí algumas recomendações minhas.

Ao clicar nos links acima você será redirecionado para a página de cada livro na Amazon. Na sua opinião, qual livro todo estudante deveria ler, mas não está nessa lista?

Dicas para revisar seu próprio texto acadêmico

Quando estamos imersos em nossos próprios trabalhos acadêmicos, é natural que chegue um momento que precisamos parar e olhar com outros olhos para aquilo que estamos fazendo.

Mas preocupe-se em um primeiro momento a escrever, depois você edita e revisa. É sobre essa segunda fase que iremos falar hoje. Separei algumas dicas e práticas que eu mesma faço nos meus textos, espero que seja útil pra você!

  1. Verifico se tudo que foi citado está referenciado e vice versa. Deixo para fazer isso no final, quando o trabalho já está praticamente fechado.
  2. Verifico a formatação das citações, se está tudo certo, se as citações diretas estão com página, aspas ou o recuo de 4cm, no caso de citações longas.
  3. Confiro se todas as figuras, quadros, etc. estão mencionadas no texto e com a numeração correta. Aproveito para verificar se todas as fontes estão informadas e formatadas.
  4. Atualizo sumário e listas.
  5. Passo os olhos pelo trabalho para ver se não faltou nenhuma sigla por extenso/abreviada.
  6. Verifico se não há títulos sozinhos no pé de página.
  7. Leio o texto buscando repetições e palavras que tenho como vicio de linguagem (no meu caso uso muito o “então” e o “por exemplo”). Uso o dicionário de sinônimos para encontrar alternativas, quando for o caso.
  8. Quebro parágrafos muito longos em dois ou três menores. O mesmo vale para frases longas que estão com muitas vírgulas: às vezes um ponto final ali no meio vem a calhar.
  9. Procuro palavras estrangeiras que por acaso tenha ficado sem itálico.
  10. Vejo se as datas estão bem informadas: ao invés de “década de 70”, fica “década de 1970”.
  11. Vejo se há conexão entre as seções ou se elas precisam de um acabamento melhor.
  12. Verifico se o título da capa é o mesmo que aparece na folha de rosto, folha de aprovação e ficha catalográfica.
  13. Por fim, transformo o arquivo em PDF e dou mais uma olhada geral, pra ver se não passou nada em relação a escrita ou formatação.

Essas são as minhas dicas para melhorar seu texto, mas se você puder contar com o trabalho de um revisor profissional, melhor. Nosso olhar fica viciado e tende a deixar passar coisas. Além disso, um profissional dará a devida atenção a norma culta da língua, além de ajustar a coesão e coerência do seu texto.

Você tem alguma outra dica ou rotina de revisão? Coloque nos comentários!

Perguntas e respostas sobre citação traduzida

Uma citação traduzida é quando você utiliza o conteúdo de um documento que está em outro idioma que não seja o português.

De acordo com a ABNT, quando fazemos isso de forma direta, ou seja, uma cópia literal, precisamos sinalizar que fomos nós que transformamos esse conteúdo.

Este post traz perguntas e respostas sobre o assunto. Se ainda te restar alguma dúvida, coloque nos comentários que eu ajudo!

Em que casos preciso informar que a citação foi traduzida?

Apenas quando for citação direta, ou seja, cópia literal.

Isso independe se for a citação com até 3 linhas inserida no meio do texto, ou se for a citação com mais de 3 linhas que pede o recuo de 4cm da margem esquerda.

Se fiz paráfrase ou escrevi com as minhas próprias palavras, preciso informar que a informação veio de outro idioma?

Nesse caso não. Citações indiretas não precisam dessa sinalização de tradução.

Como faço corretamente a sinalização de tradução?

Você precisa colocar a informação tradução nossa após o número na página, como nos exemplos abaixo:

Becker (1999, p. 2, tradução nossa) ou (BECKER, 1999, p. 2, tradução nossa).

Preciso colocar o trecho original em nota de rodapé?

Não existe nenhuma regra que obrigue isso.

Costumo dizer que depende muito do tipo de texto com o qual você está trabalhando.

As pessoas geralmente colocam em nota quando há algum sentido no original que se perde durante a tradução. Dessa forma, acaba indo dos dois jeitos para o trabalho, tanto a original, quanto a tradução.

Vai alguma sinalização de tradução na referência?

Nesse caso não, porque estamos falando de um documento que está inteiro em outro idioma, do qual você pegou apenas uma partezinha e traduziu para inserir no seu trabalho e facilitar a leitura.

A referência você faz normal, seguindo o que a norma manda para cada tipo de documento (livro, artigo, etc.)

Alterações na nova ABNT NBR 6028 de resumos

A versão anterior da norma 6028, de resumos, era de novembro de 2003. A nova edição, publicada em 18 de maio de 2021, não alterou só a data, mas também o título do documento:

Enquanto a versão anterior se chamava “Informação e documentação – Resumo – Apresentação”, a nova versão tem algumas palavrinhas a mais e ficou “Informação e documentação – Resumo, resenha e recensão – Apresentação”.

Em questão de tamanho, a nova versão possui 5 páginas a mais. Mas não se assuste: o que ampliou esse tamanho foi principalmente a diagramação diferenciada, inclusive com a inclusão de um sumário.

Foram incluídas duas novas definições no documento:

Recensão: análise crítica, descritiva e/ou comparativa, geralmente elaborada por especialista.

Resenha: análise do conteúdo de um documento, objeto, fato ou evento

A definição de resumo crítico, que era entendido como um sinônimo de resenha na versão anterior, não aparece mais, foi retirado.

Houve a substituição da palavra “deve” (exigência) por “convém” (recomendação) em vários lugares da norma:

VERSÃO DE 2003 – Devem-se evitar:

a) símbolos e contrações que não sejam de uso corrente; b) fórmulas, equações, diagramas etc., que não sejam absolutamente necessários; quando seu emprego for imprescindível, defini-los na primeira vez que aparecerem.

VERSÃO DE 2021 – Convém evitar:

a) símbolos, contrações, reduções, entre outros, que não sejam de uso corrente; b) fórmulas, equações, diagramas, entre outros, que não sejam absolutamente necessários, e, quando seu emprego for imprescindível, defini-los na primeira vez que aparecerem.

Agora nessa nova versão também temos uma separação com um item principal falando apenas de resumo, e outro item principal falando de resenha e recensão.

Resumo:

Continua a obrigatoriedade de apresentar as informações de forma concisa, em parágrafo único e sem enumeração de tópicos.

O uso do verbo em terceira pessoa virou uma recomendação (substituição da palavra “deve” por “convém”).

Quando o resumo estiver inserido no próprio documento (em teses e dissertações, por exemplo), é opcional colocar a referência do próprio documento antes dele. Antes não havia essa opção.

Na norma anterior, as palavras-chave eram separadas entre si por ponto final. Agora usa-se ponto e vírgula, como no exemplo:

Palavras-chave: gestação; cuidado pré-natal; Aedes aegypti; IBGE; Brasil.

Continua não aparecendo na norma alguma recomendação de quantidade mínima ou máxima de palavras a serem utilizadas.

Em relação a extensão dos resumos, houve a mudança do “deve” para “convém”, mas as medidas continuam as mesmas:

a) 150 a 500 palavras nos trabalhos acadêmicos e relatórios técnicos e/ou científicos;
b) 100 a 250 palavras nos artigos de periódicos;
c) 50 a 100 palavras nos documentos não contemplados nas alíneas anteriores.

Resenha e recensão:

Item totalmente novo nessa versão da norma e apresenta apenas quatro tópicos:

4.2.1 Devem fornecer ao leitor uma ideia do documento ou objeto, analisando e descrevendo seus aspectos relevantes.
4.2.2 Devem ser compostas por uma sequência de frases concisas, sem enumeração de tópicos.
4.2.3 Devem ser elaboradas por outrem que não o autor do documento ou objeto.
4.2.4 Devem ser precedidas pela referência, quando forem publicadas separadamente do documento ou objeto.

Em regras gerais, a formatação gráfica tanto do resumo, quanto das resenhas e recensões devem seguir o padrão do documento onde estão inseridos.

A versão publicada essa semana já está valendo?

Sim, esta nova versão cancela automaticamente a anterior.

Porém, do ponto de vista das universidades e periódicos, ainda pode levar um tempo até que adaptem seus manuais de estilos e normativas internas, colocando as mudanças que essa atualização trouxe.

Vale ficar atento: na dúvida, faça o que a sua instituição pedir!

Dois “primeiros autores”: como citar?”

A identificação de dois ou mais autores principais, ou que todos contribuíram igualmente, tem trazido dúvidas sobre como fazer corretamente a citação desse material. Ao menos no Instagram do Jornada Acadêmica elas têm aparecido com frequência, por isso resolvi fazer esse post.

Antes de falar sobre a citação em si, precisamos entender a origem dessa dúvida. Meu palpite é que ela tem a ver com o CRediT, ou mais especificamente, como o desconhecimento de que ele existe. Vem comigo que vou te explicar melhor essa história!

Conforme a ciência avança, temos muito mais trabalhos colaborativos em andamento. Publicações em equipe se tornaram mais comuns, principalmente em determinadas áreas do conhecimento, porque a tecnologia e a internet amplificaram as possibilidades de parceria.

Fonte: Pesquisa Fapesp.

Agora pense nessa pergunta: que tipo de participação qualifica uma pessoa para receber a posição de autor em um manuscrito? A resposta é complexa, né?

Para tentar resolver a questão, foi criado o CRediT, que significa Contributor Roles Taxonomy. É uma taxonomia que lista 14 funções ou papéis que podem ser utilizados para identificar as contribuições de cada autor em uma publicação científica.

As funções atualmente listadas, em tradução livre do inglês para português, são:

  1. Conceituação
  2. Curadoria de dados
  3. Análise formal
  4. Aquisição de financiamento
  5. Investigação
  6. Metodologia
  7. Administração do projeto
  8. Recursos
  9. Software
  10. Supervisão
  11. Validação
  12. Visualização
  13. Redação – rascunho original
  14. Redação – revisão e edição

Você pode ver a descrição completa de cada papel da lista em: https://casrai.org/credit/

O CRediT chama todos esses papéis de contribuições acadêmicas, e não apenas de autoria, justamente para ampliar a identificação de pesquisadores envolvidos no estudo que não seriam reconhecidos utilizando critérios “tradicionais”. Desde que foi lançado, em 2014, o CRediT tem sido amplamente adotado por periódicos nacionais e internacionais.

De um modo geral, a taxonomia amplia a transparência das publicações científicas. Para os autores, significa obter reconhecimento e autoridade em funções ou áreas de trabalho, e até mesmo comprovar auxílios ou benefícios recebidos de agências de fomento.

Quando implantado no sistema de submissão dos periódicos, essa padronização de funções pode ajudar na integração entre plataformas (revista + DOI + ORCID, por exemplo), e permitir a análise automatizada dos diferentes papéis X pesquisadores que os ocupam, rastreando informações, contribuidores e funções. Para os editores, a disponibilização dos papéis também ajuda na resolução de casos de disputa de autoria.

Ok, Ju, entendi! E a citação?

Recapitulando: podemos ter pessoas com diferentes papéis, ou, o mais comum de aparecer principalmente nas sociais e humanas, autores que contribuíram igualmente para o artigo, e portanto, não apresentam diferenciação entre si.

O CRediT, no entanto, não fala sobre a apresentação da ordem de autoria no texto. Algumas equipes colocam os nomes em ordem alfabética, outras, atribuem pesos aos diversos integrantes da equipe. Ou seja: temos uma taxonomia de reconhecimento de diferentes papéis, mas continuamos apresentando as pessoas seguindo uma determinada ordem na primeira página do artigo. É essa ordem que impacta na citação, não a contribuição do pesquisador no estudo.

Isso porque quando estamos fazendo uma citação/referência, seguimos padrões que vem das normas bibliográficas ou documentais, como a ABNT, APA, MLA, Vancouver, Chicago, etc. São estilos de apresentação das informações que identificam um documento ou fonte que usamos em nossos trabalhos acadêmicos.

Veja que não estamos discutindo que autor é mais importante, pois mesmo que a norma que você utiliza mande citar apenas o primeiro nome, todos os autores do artigo receberão uma citação em sua publicação.

O CRediT serve para oferecer uma noção da complexa relação entre autores e suas contribuições, evidenciando os diferentes processos envolvidos na construção do artigo e transmitindo transparência a ciência. Ele ajuda na tomada de decisão sobre quem pode se tornar um autor de acordo com a contribuição ao estudo.

Já a citação em um padrão normativo ou outro serve para que você dê os créditos corretos ao trabalho que usou, garantindo que todos aqueles autores tenham impacto em relação ao artigo publicado, independente se para isso você mencione 1 ou 52 pessoas (depende da norma!).

Veja alguns exemplos retirados de artigos de periódicos:

Pelo menos por enquanto, o CediT segue tendo uma função, e as normas de citação e referência outra. No final das contas, são complementares.

Talvez daqui um tempo tenhamos uma integração entre todas essas coisas, mas por enquanto, sua preocupação deve seguir sendo mencionar a fonte de todos os estudos que utilizar, usando a norma mais comum na sua área ou a que o periódico/instituição pedir, e, para as suas próprias publicações, pensar em informar as contribuições de cada autor dentro dessa iniciativa internacional, contribuindo assim para uma ciência mais aberta e transparente.

Para saber mais:

doi: 10.1038/508312a
doi: 10.1087/20150211
doi: 10.1038/d41586-019-02084-8

Dicas para apresentar trabalhos em eventos

Antes do evento

Crie um roteiro: antes mesmo de fazer os slides, caso você vá utilizar, crie um roteiro dos principais tópicos que irá apresentar e organize a sequência das ideias. Você pode utilizar papel e caneta para isso.

Slides: confira se o evento possui um template de que deve ser utilizado. Lembre de inserir somente o texto necessário para apoiar sua fala. Se puder colocar imagens e gráficos que exemplificam de forma visual seus dados, melhor.

Treine: ensaie sua fala com base no roteiro que você escreveu e nos slides (ou pôster) já prontos. Fale em pé, simule o ambiente e o tempo do evento. Treine para NÃO LER os slides no dia da apresentação! Eles são somente seu apoio e uma síntese da sua fala para o público acompanhar.

Prepare-se para perguntas: veja quais pontos do seu trabalho podem levantar questionamentos e se prepare de antemão com respostas adequadas.

Backups: salve os arquivos que irá utilizar em 2 ou 3 formatos diferentes (ppt e pdf, por exemplo) e tenha sempre um backup: pendrive, email, dropbox, etc.

Durante o evento

Chegue com antecedência: tenha tranquilidade para achar o local, testar sua apresentação e se acomodar.

Vista-se com roupa confortável: utilize uma roupa que te deixe a vontade. Veja também se o evento possui algum dresscode que deva ser respeitado (mais social, por exemplo).

Leve água: não espere a coordenação do evento fornecer, garanta sua própria água. Além de te manter hidratado, você pode beber água para fazer pequenas pausas antes de responder perguntas, por exemplo, caso precise de alguns minutos para pensar.

Não interrompa as perguntas: deixe que a pessoa termine a pergunta antes de responder, tome notas se for necessário para auxiliar a resposta. Caso não saiba responder na hora, diga que irá procurar uma solução e dará um retorno depois e que está disponível para continuar conversando sobre o assunto no intervalo.

Coloque-se à disposição para conversar depois da apresentação ou responder eventuais dúvidas por email: nem sempre dá tempo de todas as colocações serem feitas após a apresentação. Coloque-se à disposição para continuar conversando, isso pode render boas parcerias no futuro.

Entendendo um pouco sobre o Qualis

Esse é um assunto que volta e meia eu falo lá no Instagram. Já fiz até uma live sobre qualis e fator de impacto, que infelizmente não ficou salva. Hoje eu vou dar uma geral sobre o assunto e em posts futuros pretendo abordar de forma mais direcionada as dúvidas mais comuns. Vamos lá?

Quando entramos na pós e passamos a nos preocupar com a publicação de artigos, é inevitável que essa palavrinha chamada “qualis” apareça na nossa vida. Pra começar, a gente precisa entender que a função do qualis é servir como uma ferramenta de avaliação da produção bibliográfica dos programas de pós-graduação. Como não é possível avaliar os artigos de forma individual, isso é feito através dos periódicos onde se publica. 

É por isso que a classificação qualis é feita sempre a posteriori, ou seja, a lista oficial sai a cada 4 anos na plataforma sucupira e é alimentada com base nas publicações que os programas de pós informam à CAPES. 

O qualis vigente hoje, junho de 2020, é o que corresponde aos anos cheios de 2013 a 2016. Os estratos que temos vigentes são: A1, A2, B1, B2, B3, B4, B5 e C, sendo A o melhor e C o pior. Como que as revistas chegam nesses estratos? É gerada uma pontuação pra elas de acordo com algumas características como indexação em determinadas bases de dados, por exemplo. 

Uma coisa que é interessante você saber: cada estrato tem um teto, então pra um periódico subir de qualis, outro tem que descer. Há um limite. Muitas vezes um periódico tem todas as características de um estrato mais alto, mas não sobe porque há uma barreira. Exemplo: se tenho 3 revistas muito boas, iguais, mas o A1 só aceita 2, uma delas vai ter que descer. 

Me conte nos comentários se você já conhecia essa dinâmica do qualis e quais as suas dúvidas!